terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Praxes

Também eu quero dizer uma coisinha sobre as praxes.
Legislar sobre elas, absurdo!
Proibi-las, ridículo!
Que são abusivas e insultuosas, são!
Que são um jogo de poderes desigual, são!
Que são um baptismo implacável, são!
Mas ninguém percebe que no seio da comunidade estudantil a interpretação e percepção que se faz delas não é de todo tão radical, não assume as dimensões que a opinião pública e a comunicação social lhe querem dar. A rebeldia intrínseca àqueles anos e ao conquistado e orgulhoso novo estatuto de universitário parecem dar permissão automática à brincadeiragem de joguinhos de humilhação e vexame.
O abuso, descontrole, os episódios infelizes e os finais tristes existem e têm lugar, sim; mas não mais do que em outros contextos do domínio público.
Estudei em Coimbra e nunca vi que uns e outros, praxados e praxadores, se sentissem desconfortáveis nos seus papeis.
Mas é claro que ver gente a humilhar outra e a aproveitar-se da posição que têm é das coisas que mais me encoleriza.

 

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