sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Slow Living

Parece ser que a humanidade está a descobrir o Slow Living, na senda do tão popular Slow Food. Tem graça, já na faculdade tinha um professor que louvava os 'lazeres de abandono' como ele chamava ao não fazer rigorosamente nada!
Há já muito que me rendi ao Slow Food, acho até que sempre fui adepta dele, mesmo sem saber, porque muito aprecio o conceito de comida saudável e bem confeccionada e muito aprecio o conceito de comer devagar e aproveitar ao máximo o acto em si. 
Na realidade, faz todo o sentido: após o Fast Food vem o Slow Food, esgotadíssimo que ficou o primeiro; após o Fast Living terá necessariamente que vir o Slow Living, pelo frustrante que o primeiro pode ser, o ritmo alucinante a que levamos a vida, quer profissionalmente, quer na vida pessoal, quer na busca incessante de prazer terá necessariamente que abrandar e dar espaço a coisas simples.
Há já gente a dar workshops e conferências mundiais subordinadas ao tema Boring!! e a afluência é esmagadora. Também são já muito populares as férias em locais onde não existe rede de telemóvel e internet, quem sabe não estamos perante outras formas de lazer, prazer e entertenimento. A bem dizer a crise que o mundo experimenta hoje pode também estar a criar um certo abrandamento no consumo de mais e mais serviços/bens mais ou menos radicais e a dar mais valor ao simples.
Não sei, mas apreciar a vida com calma, gozar com o simples da vida, não ter de tirar prazer e partido apenas do que é muito elaborado e rebuscado e empolado, não viver na constante angustia de procurar novas formas de prazer... parece-me muito muito interessante. Ah e dar valor ao que é realmente importante, nem se fala.
Já o prof. Claudino empolgava tanto o prazer que tirava, e que era tão injustamente desvalorizado nas sociedades, dos seus 'lazeres de abandono' e sempre me ficou esse encanto pelo conceito, que ele qual visionário inventava.
E se isso pode parecer tão improdutivo, por um lado, veja-se o caso de Andy Warhol, um amante confesso da arte de nada fazer, e inspirou-se e criou obra. Há até a teoria científica de que é quando o nosso cérebro está em stand by que é mais criativo e surgem as ideias brilhantes... acredito nisso plenamente. Se não abrandarmos o ritmo como é que vamos ter tempo e espaço para ter ideias e para ouvir o que debita a nossa mente, o nosso espírito, o nosso coração?
Observar e contemplar e meditar pode ser das coisas mais inspiradoras e enriquecedoras, eu gosto.
Viva o Slow Living!

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